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Airbnb pet friendly: o que informar ao hóspede antes e depois do check-in

Metade dos lares brasileiros tem cão ou gato e 42% dos anúncios já aceitam pets. Veja o que o hóspede precisa saber antes de reservar, o que só faz sentido depois do check-in, e o que o condomínio pode realmente exigir.

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Guia do Hóspede

Airbnb pet friendly: o que informar ao hóspede antes e depois do check-in

Um hóspede desembarca com um cachorro no carro. Ele já sabia que o seu imóvel aceita pets — isso estava no anúncio. O que ele não sabe é onde o animal pode ficar, se pode subir no elevador social, onde ficam os sacos para recolher as fezes, e se aquele tapete claro da sala é problema. Nos primeiros vinte minutos da estadia, ele vai te mandar mensagem. Ou pior: vai decidir sozinho.

Aceitar pets é uma decisão comercial, e cada vez mais anfitriões a tomam. Mas aceitar não é a mesma coisa que estar preparado. A diferença entre um e outro está no que o hóspede encontra escrito quando chega — e é sobre isso que este artigo trata.

Cachorro sentado no tapete da sala de um apartamento de aluguel por temporada
Receber pets bem é menos sobre permitir e mais sobre orientar

A procura é maior do que a maioria dos anfitriões imagina

O Brasil tem 160,9 milhões de animais de estimação, o terceiro maior rebanho pet do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China, segundo a Abinpet. Mais da metade dos lares brasileiros tem cão ou gato. Isso não é um nicho — é metade do seu público potencial.

E essas pessoas viajam com os animais. Uma pesquisa da Booking.com divulgada em abril de 2026, com 32,8 mil entrevistados em 34 mercados, mostra o comportamento de quem viaja com pet no Brasil:

  • 58% escolheram casas de temporada ou apartamentos pet friendly — mais do que os 55% que optaram por hotéis que aceitam animais.
  • 42% já viajaram de avião com o animal, o que significa que o pet deixou de ser um limitador de distância.
  • 64% incluíram trilhas ou atividades ao ar livre no roteiro, e 52% foram a praias que aceitam animais.

O dado mais relevante para quem aluga por temporada é o primeiro. Quando a pessoa viaja com o animal, o imóvel inteiro passa a ser preferido ao quarto de hotel — pela cozinha, pelo espaço, pela ausência de recepção para atravessar toda vez que o cachorro precisa sair.

Do lado da oferta, o Airbnb informou que as diárias reservadas por hóspedes acompanhados de pets cresceram mais de 100% no Brasil no primeiro semestre de 2023 em relação ao mesmo período do ano anterior — o dobro da alta global, de cerca de 50%. Na mesma leitura, 42% dos anúncios brasileiros se declaravam pet friendly, a segunda maior proporção do mundo, atrás só da Colômbia.

Esse último número corta nos dois sentidos. Aceitar pets no Brasil não é mais um diferencial competitivo por si só: quase metade dos anúncios já aceita. O diferencial passou a ser a qualidade da recepção — e é aí que quase todo mundo ainda deixa a desejar.

Política e operação são coisas diferentes

Este é o ponto que mais gera atrito, e ele é simples de resolver quando se percebe que há dois momentos distintos, com informações distintas.

A política responde o que o hóspede precisa saber antes de reservar: aceita pet? de que porte? quantos? tem taxa? Isso é critério de decisão, e o lugar disso é o anúncio e as regras da casa. Se essa informação chega depois da reserva, você já criou um problema.

A operação responde o que ele precisa saber depois do check-in: por onde o animal circula, onde faz as necessidades, o que o condomínio exige, o que já está disponível no imóvel. Isso não cabe no anúncio — ninguém lê seis parágrafos de logística antes de reservar — e é justamente o que gera as mensagens no primeiro dia.

Misturar os dois é o erro comum. Regras da casa viram um paredão que o hóspede não lê, e a orientação prática nunca chega. Separar resolve os dois lados: a regra fica curta e clara na hora da decisão, e a operação fica disponível no imóvel, na hora em que a dúvida aparece.

O que o condomínio pode — e não pode — exigir

Muito anfitrião de apartamento evita aceitar pets por achar que o condomínio proíbe. Na maioria dos casos, ele não pode.

O Superior Tribunal de Justiça decidiu, no Recurso Especial nº 1.783.076, julgado em 2019 pela Terceira Turma por unanimidade, que a convenção de condomínio não pode proibir de forma genérica a criação de animais nas unidades. A restrição só se justifica caso a caso, quando o animal represente risco concreto à segurança, à higiene, à saúde ou ao sossego dos demais moradores.

Na prática, isso significa que:

  • Uma cláusula do tipo "é proibido animais no condomínio" não se sustenta se aplicada de forma indiscriminada.
  • O condomínio pode impor regras razoáveis de convívio — coleira nas áreas comuns, uso do elevador de serviço, carteira de vacinação em dia, proibição de circulação em determinados espaços.
  • Essas regras valem para o seu hóspede tanto quanto para o morador. E é você quem precisa transmiti-las, porque o hóspede não tem como adivinhar o regimento interno do seu prédio.

Vale a ressalva: a decisão trata da criação de animais pelo condômino. Regras específicas sobre animais de visitantes e locatários variam de regimento para regimento, e a convenção do seu condomínio continua sendo a primeira coisa a ler. O que a decisão firma é que a proibição genérica, sem análise do caso concreto, não se sustenta.

O que escrever para o hóspede que chega com pet

Depois que a política está no anúncio e o regimento está lido, sobra a parte prática. Seis blocos cobrem quase tudo — e note que nenhum deles repete o que já está nas regras da casa:

  • Limite e custo — quantos animais, de que porte, e se há taxa de limpeza. Mesmo estando no anúncio, repetir aqui evita o mal-entendido de quem reservou sem ler.
  • Circulação no condomínio — coleira, qual elevador, quais áreas são permitidas. É o item que mais gera reclamação de vizinho, e o mais fácil de resolver com uma frase.
  • Necessidades e descarte — onde passear, onde ficam os sacos, em qual lixeira descartar. Se há uma praça na esquina, diga qual.
  • O que já está no imóvel — comedouro, bebedouro, caminha, tapete higiênico. Isso vira avaliação positiva com um custo baixíssimo.
  • Restrições dentro da casa — cama, sofá, quartos fechados. Ofereça a alternativa junto com a proibição: "há uma manta para ele na poltrona" funciona melhor que "não suba no sofá".
  • Emergência e serviços por perto — veterinário 24h e pet shop mais próximos. O hóspede em pânico com o animal doente às onze da noite vai lembrar de você por isso.

Repare que essas informações são inúteis antes da reserva e essenciais depois dela. É exatamente o perfil do que deve estar no guia do imóvel, não no anúncio.

Como isso fica no Guia do Hóspede

No Guia do Hóspede, isso virou uma seção própria de Pets, disponível no plano Premium. Ela aparece na navegação do guia com ícone de pata, e o hóspede acessa direto pelo QR Code do imóvel, sem pedir link nem procurar mensagem antiga.

Smartphone com um guia digital Guia do Hóspede aberto, onde são cadastrados tópicos informativos para a estadia, entre eles uma seção exclusiva para orientações para hóspedes com pets
Um guia moderno para seus hóspede contendo orientações para hóspedes viajantes com pets

A seção acompanha o guia em português, inglês e espanhol — o mesmo texto, traduzido, para o hóspede estrangeiro que chega com o animal. E convive com o resto: as regras da casa seguem com a política, e a seção de Pets cuida da operação.

Se o seu imóvel tem equipamentos que o hóspede com pet costuma usar mais — máquina de lavar, aspirador —, vale conferir também como orientar o uso dos equipamentos, que segue a mesma lógica de tirar a instrução da conversa e colocá-la no lugar onde ela é necessária.

Um resumo prático

Aceitar pets deixou de ser diferencial no Brasil — 42% dos anúncios já aceitam. O que ainda diferencia é a preparação:

  • Deixe a política no anúncio e nas regras da casa, curta e sem ambiguidade.
  • Leia a convenção do seu condomínio, mas saiba que proibição genérica não se sustenta desde a decisão do STJ de 2019.
  • Coloque a operação no guia do imóvel, onde o hóspede consulta na hora da dúvida.
  • Invista os poucos reais de um comedouro e uma caminha. É o item de menor custo e maior retorno em avaliação de toda a lista.

O hóspede que viaja com um animal já enfrentou dificuldade para achar onde ficar. Ser o anfitrião que pensou nos detalhes antes dele perguntar é o que transforma essa reserva em recorrência.

Acesse o guia de demonstração e veja como a informação fica organizada do ponto de vista do hóspede.

Dúvidas frequentes

O condomínio pode proibir que meu hóspede leve o animal?

De forma genérica, não. O STJ decidiu em 2019 (REsp 1.783.076) que a convenção não pode vedar animais sem analisar o caso concreto — a restrição só se justifica diante de risco real à segurança, higiene, saúde ou sossego. O condomínio pode, sim, impor regras de convívio, como coleira nas áreas comuns e uso do elevador de serviço.

Aceitar pets ainda é um diferencial competitivo?

No Brasil, cada vez menos: 42% dos anúncios já se declaram pet friendly, a segunda maior proporção do mundo. O diferencial hoje está na preparação — orientação clara, itens disponíveis no imóvel e indicação de veterinário próximo.

Posso cobrar uma taxa por pet?

Pode, desde que informada no anúncio e nas regras da casa, antes da reserva. Cobrança comunicada depois do check-in é a origem mais comum de avaliação ruim envolvendo animais.

Onde coloco a política e onde coloco a orientação prática?

A política — aceita, quantos, porte, taxa — vai no anúncio e nas regras da casa, porque é critério de decisão antes de reservar. A orientação prática vai no guia do imóvel, porque só é consultada depois do check-in.

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